{"id":165,"date":"2020-02-18T10:55:13","date_gmt":"2020-02-18T13:55:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ayanagalu.org\/?p=165"},"modified":"2020-02-18T10:55:13","modified_gmt":"2020-02-18T13:55:13","slug":"pay-to-play-e-jogos-digitais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/pay-to-play-e-jogos-digitais\/","title":{"rendered":"Pay to Play e Jogos Digitais"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap\">Nasci nos anos 80, \u00e9poca em que os jogos digitais come\u00e7aram a chegar \u00e0 vida de crian\u00e7as de classe m\u00e9dia e alta. A digitaliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica possibilitou que o processamento computacional substitu\u00edsse parcialmente brincadeiras de rua pelos quartos com televis\u00e3o. Inclusive alguns dos primeiros jogos do antigo <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Atari\">Atari<\/a> relembravam essas brincadeiras: esconde-esconde, pol\u00edcia e ladr\u00e3o, bang-bang, luta, al\u00e9m dos mais amados esportes, simulados virtualmente com qualidade prec\u00e1ria. Naquela \u00e9poca era uma revolu\u00e7\u00e3o, que mudou a forma de intera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as entre si e com as m\u00e1quinas. Elas passavam horas e horas com aquele que era, para muitas, o seu melhor amigo, o videogame. O hor\u00e1rio, a variedade e a instantaneidade do lazer se expandiram, em paralelo ao isolamento social.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Aquela transforma\u00e7\u00e3o pela qual passamos, ao vivenciar a transforma\u00e7\u00e3o do anal\u00f3gico ao digital impactou nos adultos que nos tornamos. Sempre dependentes do mundo digital, mas de forma nem t\u00e3o confort\u00e1vel quanto os mais jovens de hoje. Tampouco somos t\u00e3o adaptativos a mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas extremamente r\u00e1pidas, j\u00e1 que o nosso processo de adapta\u00e7\u00e3o e uso de cada inova\u00e7\u00e3o durante nosso crescimento durou muito mais tempo. O tema \u00e9 amplo e cheio de debates interessantes, mas vou me deter aqui \u00e0 quest\u00e3o dos jogos digitais \u2013 ou seja, dos videogames \u2013 e ao surgimento do ingrato sistema <em>on-line<\/em> <em>Pay to Play<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas mesmas crian\u00e7as que cresceram com jogos digitais <a href=\"https:\/\/www.epgrupo.com.br\/pesquisa-game-brasil-2019\/\">n\u00e3o os abandonaram depois de adultos.<\/a> Muitos ainda se divertem enormemente com videogames e jogos computacionais. Afinal, n\u00e3o \u00e9 de hoje que adultos passam horas e horas em frente a um jogo. Basta lembrar das intermin\u00e1veis partidas de canastra de antigamente e o v\u00edcio em jogos mais perigosos (com altas apostas) que muitos experimentaram, inclusive acabando com a poupan\u00e7a de fam\u00edlias (caso do meu av\u00f4 materno, por exemplo). Ok, sempre fomos viciados em jogos, at\u00e9 quando adultos. Mas o que mudou hoje?<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje <strong>jogamos muito mais jogos digitais<\/strong> que anal\u00f3gicos. Como mencionado acima, eles permitem uma variedade de op\u00e7\u00f5es antes inimagin\u00e1vel; instantaneidade para jogarmos quando e onde quisermos, principalmente com o advento do smartphone; e autonomia, j\u00e1 que, na maioria das vezes, n\u00e3o necessitamos da presen\u00e7a de outras pessoas para jogar. Al\u00e9m disso, <strong>jogos digitais se transformaram<\/strong> profundamente nos \u00faltimos anos. Eles incrementaram a possibilidade de intera\u00e7\u00e3o por meio da internet, da monetiza\u00e7\u00e3o e de outros instrumentos competitivos que incentivam a depend\u00eancia e o isolamento do mundo real em prol do virtual. A maior complexidade foi integrada a uma agenda capitalista de obten\u00e7\u00e3o de lucro cont\u00ednuo em proje\u00e7\u00e3o global. Isto produziu recursos para investimentos em jogos digitais repletos de intelig\u00eancia artificial e algoritmos complexos, que passaram, inclusive, a serem chamados de simula\u00e7\u00e3o e produzirem mais incentivos para a viv\u00eancia no mundo virtual.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela minha paix\u00e3o pr\u00e9via, e promessa pessoal de que iria passar a me divertir em momentos de folga, comecei a jogar um game on-line para sistemas Android e iOS, chamado <a href=\"https:\/\/sskotz.gtarcade.com\/\">Saint Seiya Awakening<\/a> (SSA). Trata-se de um novo jogo baseado no <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Mang%C3%A1\">mang\u00e1<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Anime\">anime<\/a> japon\u00eas que marcou a minha inf\u00e2ncia, os <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Os_Cavaleiros_do_Zod%C3%ADaco\">Cavaleiros do Zod\u00edaco<\/a>. A tenta\u00e7\u00e3o com os Cavaleiros tamb\u00e9m \u00e9 simb\u00f3lica posto que o mang\u00e1 tem uma filosofia e \u00e9tica de fundo, bem complexa e interessante para quem quer ir al\u00e9m da brincadeira. Al\u00e9m disso, como qualquer cientista social, n\u00e3o me contive \u00e0 divers\u00e3o e passei a analisar os mecanismos mais amplos envolvidos no jogo. O jogo \u00e9 genial e remete ao RPG de cartas, Magic (que tamb\u00e9m jogava na adolesc\u00eancia), pela estrutura do jogo (em turnos) e sistema de atributos de personagens e equipes.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o jogo n\u00e3o narra ou simula apenas a hist\u00f3ria interessante escrita no mang\u00e1. O game foi, infelizmente (ou felizmente, at\u00e9 agora n\u00e3o sei), tomado pela nova estrutura dos jogos contempor\u00e2neos. &nbsp;N\u00e3o \u00e9 suficiente comprar o jogo e tentar zer\u00e1-lo no seu tempo. Pelo contr\u00e1rio, sua tamanha mobilidade e flexibilidade funcionam para que nunca cheguemos ao fim. N\u00e3o disputamos com um processador previamente programado, mas com m\u00e1quinas inteligentes e, sobretudo, outras dezenas de milhares de seres humanos, que na minha inf\u00e2ncia nunca caberiam na minha sala de casa. A estrutura revolucion\u00e1ria desses novos jogos, exemplificada no SSA, funda-se ao meu ver em <strong>tr\u00eas elementos que complexificam o seu universo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, <strong>o jogo n\u00e3o tem apenas <em>um<\/em> jogo ou <em>uma<\/em> hist\u00f3ria<\/strong>. H\u00e1 uma multiplicidade de subjogos internos com din\u00e2micas variadas, feitos para a intera\u00e7\u00e3o com a m\u00e1quina (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jogador_contra_ambiente\">PvE<\/a>; <em>Player vs Environment<\/em>, em ingl\u00eas) ou outras pessoas conectadas no servidor <em>on-line<\/em> (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jogador_contra_jogador\">PvP<\/a>; <em>Player vs Player<\/em>, em ingl\u00eas). A diversidade poderia significar mais autonomia e independ\u00eancia a n\u00e3o ser pelo fato de que todos esses subjogos d\u00e3o recompensas que afetam o progresso no jogo como um todo. Ou seja, h\u00e1 grandes incentivos para voc\u00ea n\u00e3o perder nenhuma oportunidade caso queira avan\u00e7ar no jogo. Para fazer o m\u00ednimo de todos os jogos, gastam-se cerca de 2h por dia(!). A vit\u00f3ria \u00e9 sempre relativa, pois cada subjogo \u00e9 praticamente infinito e se conecta sempre a um jogo maior tamb\u00e9m intermin\u00e1vel. E menos mal que n\u00e3o \u00e9 um jogo em tempo real, tal qual o <a href=\"https:\/\/www.supremacy1914.com\/\">Supremacy 1914<\/a>, em que desconectar ou sair da frente do jogo pode custar a vida virtual e todo o investimento j\u00e1 dispendido no game. Competidores natos, enlouquecem (e eu que o diga!).<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo elemento de complexidade do jogo digital atual \u00e9 <strong>a rede social<\/strong>. O jogo on-line n\u00e3o \u00e9 um jogo frio, isolado virtualmente. Na realidade, h\u00e1 muitas vezes, como SSA, uma rede social interna ao game, em que se valoriza a divulga\u00e7\u00e3o do sucesso dos melhores, como elemento de competitividade e tamb\u00e9m colabora\u00e7\u00e3o para possibilidade de sucesso. Essa plataforma, uma vez integrada e ampliada a Whatsapp, Facebook e Youtube, faz com que a sua vida n\u00e3o consiga se desvincular do game, mesmo <em>off-line<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro e mais importante elemento dos jogos digitais contempor\u00e2neos carrega o diferencial mais estrutural, a saber: a <strong>monetiza\u00e7\u00e3o como forma de avan\u00e7ar no jogo<\/strong>. O jogo \u00e9 apenas \u201cpseudo-gratuito\u201d. \u00c9 repleto de compras no aplicativo que possibilitam, de um lado, jogadores ascenderem a n\u00edveis extraordin\u00e1rios no jogo e, do outro, garantem aos produtores condi\u00e7\u00f5es de criarem conte\u00fado (recursos e eventos) que s\u00f3 ser\u00e3o acess\u00edveis com (grandes) disp\u00eandios. <a href=\"https:\/\/play.google.com\/store\/apps\/details?id=com.nintendo.zara&amp;hl=pt_BR\">Alguns games<\/a>, inclusive, s\u00f3 v\u00e3o at\u00e9 certo est\u00e1gio se voc\u00ea n\u00e3o pagar. At\u00e9 a\u00ed tudo bem, pois acostumamos a ter de comprar cartuchos, CDs ou DVDs para jogar. Entretanto, outros jogos liberam todo conte\u00fado de forma gratuita (ou com an\u00fancios), mas voc\u00ea s\u00f3 chegar\u00e1 \u00e0 vit\u00f3ria (sempre relativa) se dispender um dos dois elementos preciosos de nossas vidas: a vida ou muito dinheiro. Da\u00ed surgem duas categorias de jogadores, bem difundidas nos dias atuais (para quem se importa com esse assunto).<\/p>\n\n\n\n<p>O <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gratuito_para_jogar\"><em>Free to Play<\/em><\/a> (F2P) \u00e9 o jogador que n\u00e3o paga para jogar. Entretanto, em alguns jogos de sucesso como o SSA isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se voc\u00ea optar trocar a sua vida pelo jogo. Voc\u00ea joga muito, quase infinitamente para obter recompensas que se equiparem ao jogador que paga muito para obter grandes recompensas. Certamente as conquistas nunca ser\u00e3o t\u00e3o abundantes, mas a dedica\u00e7\u00e3o obstinada possibilita obter recursos consider\u00e1veis que resultam em boas possibilidades de realmente ascender no jogo. Passar o dia na frente da tela, transformar-se em um nerd profissional (o que acontecem com muitos jovens de hoje) n\u00e3o abona a pessoa de qualquer l\u00f3gica comercial. Muitos jogados F2P reproduzem o monetarismo criando canais no YouTube super acessados para ensinar caminhos para a ascens\u00e3o no jogo e, de quebra, divulgar o game para a comunidade, incentivando a arrecada\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e a da produtora do software.<\/p>\n\n\n\n<p>No outro extremo est\u00e3o os jogadores <em>Pay to Win<\/em> (P2W) invocados. Vi em uma comunidade do SSA no Facebook alguns jogadores que admitem gastar entre 300 e 400 d\u00f3lares por m\u00eas para avan\u00e7ar no jogo, bem acima de qualquer valor de um jogo lan\u00e7amento para console. Ou seja, n\u00e3o est\u00e1 pagando para jogar, mas para vencer. Esse valor \u00e9 praticamente a metade da renda mensal per capita m\u00e9dia do brasileiro; gasta em um jogo (!). Das duas uma, ou voc\u00ea \u00e9 milion\u00e1rio ou n\u00e3o sobrar\u00e1 dinheiro para outras necessidades ou prefer\u00eancias. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que esses jogadores s\u00e3o ressentidamente criticados pelos F2P, que nunca conseguir\u00e3o acompanhar a sua capacidade monet\u00e1ria. Nem mesmo tornando-se escravo do jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ok, embora pare\u00e7a certo tabu romper esta divis\u00e3o manique\u00edsta, minha opini\u00e3o \u00e9 que<strong> a maioria dos usu\u00e1rios de jogos digitais de hoje vive em um dilema no meio dos extremos<\/strong>. Somos, em geral, Pay to Play (P2P). Gastamos o que for poss\u00edvel para conseguir jogar sem precisar dedicar a vida nem estourar a conta banc\u00e1ria. Seja o valor do jogo ou o valor dos recursos m\u00ednimos para poder jogar. Nesse \u00faltimo caso, como no SSA, escolhemos vez que outra pagar o m\u00ednimo para se divertir tranquilamente, sem ter de transformar o jogo na prioridade de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Legal, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. O problema \u00e9 que, nessa condi\u00e7\u00e3o pessoal e dada a estrutura dos jogos atuais, nunca mais teremos o prazer da conquista de vencer e encerrar o jogo do nosso jeito. Sempre estaremos relativamente atr\u00e1s dos mais dedicados ou mais abonados, e nunca teremos um fim m\u00e9dio que nos garantam satisfa\u00e7\u00e3o, mas frustra\u00e7\u00e3o. <strong>O grande desafio dos jogadores P2P de hoje \u00e9 que, ao contr\u00e1rio de antigamente, n\u00e3o \u00e9 o acesso ao jogo que necessita de recursos de tempo ou dinheiro, mas o sucesso e a conquista moment\u00e2nea<\/strong>. Atualmente, esses jogadores possivelmente n\u00e3o ter\u00e3o atributos definidores para serem realmente competitivos, apenas se divertir\u00e3o com o jogo em escala intermedi\u00e1ria. Ser\u00e3o pot\u00eancias intermedi\u00e1rias sem armas estrat\u00e9gicas e dever\u00e3o se contentar com isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Para zerar o jogo n\u00e3o basta mais apenas ser P2P (nas quantias equivalentes \u00e0 antiga compra do cartucho), mas F2P ou P2W. <strong>N\u00e3o posso simplesmente adquirir o jogo e usar de minha estrat\u00e9gia e capacidade para vencer, terei de dispender todo o tempo ou dinheiro que tiver. Talvez seja ao mesmo tempo um reflexo e causa da nossa sociedade contempor\u00e2nea<\/strong>. Queremos o infinito, o c\u00e9u e n\u00e3o nos contentamos com limites; com come\u00e7o, meio e fim. Divulgamos o sucesso e n\u00e3o o fracasso. O fim \u00e9 sempre passageiro e ef\u00eamero, est\u00e1gio de novas conquistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o esque\u00e7amos, tudo tem uma morte, um fim. Todos inevitavelmente experimentaremos v\u00e1rios fins em nossas vidas. Minha solu\u00e7\u00e3o agora \u00e9 comprar um emulador de consoles antigos e voltar \u00e0s origens. Ou simplesmente, desligar o jogo e ler um livro. Certamente, com minhas capacidades e limites intelectuais e de disponibilidade, conseguirei chegar, a meu tempo, \u00e0 \u00faltima p\u00e1gina.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mesmas crian\u00e7as que cresceram com jogos digitais n\u00e3o os abandonaram depois de adultos. Muitos ainda se divertem enormemente com videogames e jogos computacionais. 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