{"id":172,"date":"2020-02-22T13:07:58","date_gmt":"2020-02-22T16:07:58","guid":{"rendered":"http:\/\/ayanagalu.org\/?p=172"},"modified":"2020-02-22T13:07:58","modified_gmt":"2020-02-22T16:07:58","slug":"a-vida-por-tras-da-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/a-vida-por-tras-da-pesquisa\/","title":{"rendered":"A Vida por Tr\u00e1s da Pesquisa"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap\">Todo artigo cient\u00edfico (ou grande parte deles) carrega uma hist\u00f3ria que normalmente n\u00e3o \u00e9 contada. Para quem n\u00e3o \u00e9 da \u00e1rea acad\u00eamica talvez n\u00e3o seja f\u00e1cil compreender o trabalho \u00e1rduo que existe por tr\u00e1s de uma publica\u00e7\u00e3o.\u00a0 Vou contar brevemente a hist\u00f3ria do artigo que <a href=\"https:\/\/ayanagalu.org\/author\/igorcastellano\/\">Igor Castellano<\/a> e eu publicamos recentemente na <a href=\"https:\/\/www.faculdadedamas.edu.br\/revistafd\/index.php\/relacoesinternacionais\/index\">Revista Caderno de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais<\/a>, intitulado <a href=\"https:\/\/www.faculdadedamas.edu.br\/revistafd\/index.php\/relacoesinternacionais\/article\/view\/1177\/909\">&#8220;Direitos Humanos e Hegemonia: origens e alternativas ao universalismo&#8221;<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A primeira vers\u00e3o desse artigo foi escrita por mim, em 2014, para uma disciplina do mestrado em Direito da UNISINOS, ministrada pela Profa. Fernanda Bragato. Depois de conclu\u00edda a disciplina, precisava me dedicar \u00e0 disserta\u00e7\u00e3o e o artigo ficou engavetado. \u00c0 \u00e9poca, o Igor terminava a tese de doutorado. Quando ele defendeu a tese, em 2015, eu j\u00e1 tinha conclu\u00eddo o mestrado e est\u00e1vamos gr\u00e1vidos da Laura. A vida tomou outros rumos e o artigo permaneceu l\u00e1, na gaveta (ou na nuvem, para ser mais tecnol\u00f3gica).<\/p>\n\n\n\n<p>A Laura foi planejada, nasceu no final de 2015 e eu optei por me dedicar integralmente \u00e0 maternidade por dois anos. Dois anos se passaram e eu j\u00e1 nem sabia mais se era capaz de voltar aos estudos e ao mercado de trabalho. Afinal, quem sou eu? Sim, foi uma crise existencial mesmo. Minha vida estava dedicada a fazer papinhas, trocar fraldas, assistir Mundo Bita e Bob Zoom, brincar e dar muito amor \u00e0 nossa filha. A maternidade \u00e9 muito intensa para quem a vive diariamente. Ali\u00e1s, hoje meu respeito e admira\u00e7\u00e3o pelas m\u00e3es ou pais que abdicam de seus trabalhos externos para cuidar exclusivamente de seus filhos s\u00e3o ainda maiores. Sem romantismos, costumo dizer que n\u00e3o h\u00e1 nada mais cansativo do que ser m\u00e3e (mas isso \u00e9 assunto para outra hora!).<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 em 2018 consegui voltar a trabalhar, estudar, escrever. Ali\u00e1s, s\u00f3 consegui porque tive uma rede de apoio forte, especialmente por parte de meu marido, o Igor. Em uma de nossas conversas sobre o futuro, lembrei do artigo sobre direitos humanos escrito l\u00e1 em 2014. Sentamos, lemos o artigo e percebemos que muita coisa poderia ser acrescentada ao debate que foi proposto inicialmente. Reestruturamos o artigo e, juntos, aprofundamos as discuss\u00f5es. Teve muito estudo e conversa nesse meio tempo, talvez alguns meses. Encaminhamos o artigo para um <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cebrafrica\/i-seminario-cebrafrica\/\">semin\u00e1rio acad\u00eamico<\/a> para ouvir mais opini\u00f5es e sugest\u00f5es. Eu, que estava voltando ao mundo acad\u00eamico, apresentei nervosa o nosso artigo. Felizmente o feedback foi muito positivo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1, em 2019, revisamos o texto e mais algumas semanas se passaram. Encaminhamos o artigo \u00e0 publica\u00e7\u00e3o para uma revista cient\u00edfica cujo nome n\u00e3o citarei. A revista demorou quase seis meses para rejeitar o artigo, com a justificativa de que o tema j\u00e1 era muito debatido na literatura do campo. N\u00e3o compreendemos muito bem o motivo da rejei\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o artigo \u00e9 interdisciplinar, apresenta refer\u00eancias e fontes de diversos campos, como Direito, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, Ci\u00eancia Pol\u00edtica e Filosofia. Mas, tudo bem, quem est\u00e1 acostumado \u00e0 vida acad\u00eamica, sabe que \u00e9 assim mesmo. Respeitamos a decis\u00e3o e vida que segue. No mesmo ano, submetemos exatamente o mesmo artigo para a Revista Caderno de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais que o publicou agora em janeiro de 2020, sem ressalvas ou pedidos de altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Contei essa historinha para mostrar que nada \u00e9 f\u00e1cil, que a pesquisa acad\u00eamica \u00e9 coisa s\u00e9ria. A vida vai nos apresentar muitos desafios pessoais e profissionais e na Academia, assim como na vida, precisamos aprender a lidar com a rejei\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m com a humildade e o respeito, sem desistir pelo caminho. Esse trabalho \u00e9 fruto de muita discuss\u00e3o e amadurecimento pessoal e intelectual &#8211; mas em hip\u00f3tese alguma busca apresentar verdades, apenas instiga o questionamento sobre um tema que nunca \u00e9 demais debater. Assim, gostaria de convid\u00e1-los a ler as nossas reflex\u00f5es sobre direitos humanos e hegemonia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentamos responder por que a concep\u00e7\u00e3o ocidental de direitos humanos \u00e9 predominante na ordem internacional contempor\u00e2nea, se existem outras vis\u00f5es correntes sobre direitos humanos e quais as possibilidades de mudan\u00e7a da concep\u00e7\u00e3o dominante. Sustentamos o argumento, informado pela <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/books\/gramsci-historical-materialism-and-international-relations\/98C28D6823891D44A688341DD9B6A27C\">teoria neogramsciana das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais<\/a>, que a concep\u00e7\u00e3o ocidental de direitos humanos, individualista e pretensamente universal, predominou internacionalmente mediante um processo de constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica composto da configura\u00e7\u00e3o particular de ideias, institui\u00e7\u00f5es e poder. Tal estrutura e superestrutura hegem\u00f4nica coexiste, contudo, com culturas contra hegem\u00f4nicas. Entre elas, destacamos a vis\u00e3o coletivista da solidariedade humana africana, concebida no conceito de Ubuntu. Al\u00e9m disso, acreditamos existir potenciais solu\u00e7\u00f5es para a dial\u00e9tica hegem\u00f4nica e a estrutura\u00e7\u00e3o de um novo bloco hist\u00f3rico internacional, as quais debatemos na parte final do texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora fundada em trabalho \u00e1rduo e amadurecimento intelectual, como toda a pesquisa cient\u00edfica esta \u00e9 imperfeita e repleta de lacunas que abrem caminhos para novos estudos. O importante \u00e9, assim como na vida, aceitar o resultado do que temos hoje e estar aberta para novos desafios.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo artigo cient\u00edfico (ou grande parte deles) carrega uma hist\u00f3ria que normalmente n\u00e3o \u00e9 contada. 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