{"id":214,"date":"2020-08-26T17:27:40","date_gmt":"2020-08-26T20:27:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ayanagalu.org\/?p=214"},"modified":"2020-08-26T17:27:40","modified_gmt":"2020-08-26T20:27:40","slug":"epidemias-e-finitude-na-historia-do-isla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/epidemias-e-finitude-na-historia-do-isla\/","title":{"rendered":"Epidemias e Finitude na Hist\u00f3ria do Isl\u00e3"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\"><em>Mohammed Nadir<\/em><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;<em>We doctors are sometimes inclined to regard preventive medicine as a recent, sophisticated specialty, relating to vaccination, innoculations, and other highly specific and scientific procedures. But in fact people have been taking precautions against possible illness and disaster since the dawn of time.&#8221;<\/em><a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 unanime que a pandemia do Covid-19 metamorfoseou nossa maneira de ser e estar no mundo. Por\u00e9m isso n\u00e3o faz e n\u00e3o far\u00e1 dela um fato transformador da hist\u00f3ria da humanidade, tendo em conta a concep\u00e7\u00e3o braudeliana das mudan\u00e7as estruturais que acontecem na hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Tem se lido e publicado muita literatura sobre a Covid-19. Fil\u00f3sofos, economistas, militares, ambientalistas e cientistas socais, epidemiologistas e infectologistas, e at\u00e9 geopol\u00edticos t\u00eam trocado discursos ret\u00f3ricos para determinar o respons\u00e1vel, tendo em vista o choque desencadeado entre as duas pot\u00eancias, EUA e a China. Em termos nacionais e internacionais temos observado o decreto de estados de emerg\u00eancia em v\u00e1rios pa\u00edses quer do Mundo ocidental quer dos pa\u00edses extras ocidentais (Africa e Asia), em termos internacionais temos constatado o regresso duma esp\u00e9cie de <em>Limes <\/em>Romano com fortifica\u00e7\u00f5es e comportamentos fronteiri\u00e7os r\u00edgidos para impedir a entrada neste caso n\u00e3o dos povos b\u00e1rbaros, mas de pessoas doentes e infetadas.&nbsp; Discursos e narrativas que foram minuciosamente concebidos para convencer a popula\u00e7\u00e3o a uma maior ades\u00e3o a esse contexto\/ estado de emerg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, de um perigo \u00e0 sa\u00fade publica at\u00e9 a declara\u00e7\u00e3o de estado de guerra, v\u00e1rios l\u00edderes mundiais tentaram unificar sua na\u00e7\u00e3o para se proteger perante um inimigo comum. Obviamente que em pa\u00edses com democracias consolidadas houve debates mais ou menos civilizados sobre essas medidas, mas sem nunca p\u00f4r em causa o consenso e a uni\u00e3o nacional perante um v\u00edrus letal e invis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros l\u00edderes tentaram ao mesmo tempo enfrentar a epidemia com firmeza, mas sem deixar de tirar proveito pol\u00edtico para se destacar como salvadores da p\u00e1tria (o exemplo de Macron \u00e9 bem interessante nesse caso). Outros viram no coronav\u00edrus uma doen\u00e7a banal que n\u00e3o tardaria a passar, tais como Su\u00e9cia, Reino Unido e EUA Muito embora o pa\u00eds norte-americano tenha disponibilizado trilh\u00f5es de d\u00f3lares para proteger a sua economia e para ajudar os mais vulner\u00e1veis n\u00e3o obstante o desd\u00e9m do Donald Trump. O caso brasileiro \u00e9 emblem\u00e1tico, porque apesar de o pa\u00eds ter declarado estado de calamidade para enfrentar a pandemia, houve uma politiza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, fruto da j\u00e1 existente polariza\u00e7\u00e3o aguda e excecional pela qual o pa\u00eds tem passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixando o lado pol\u00edtico e olhando para a literatura socio filos\u00f3fica, nos deparamos com v\u00e1rias leituras segundo a linha de pensamento de cada autor que, aproveitaram a epidemia para veicular sua linha de observar o mundo. De Agamben, que desde o primeiro artigo &nbsp;sobre a corona v\u00edrus considerou a COVID 19 uma esp\u00e9cie de conspira\u00e7\u00e3o que visa declarar o estado de exce\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>, passando por Zizek, que viu no coronav\u00edrus uma amea\u00e7a ao bom funcionamento dos mercados mundiais e dai a necessidade de reorganiza\u00e7\u00e3o da economia mundial atrav\u00e9s de uma organiza\u00e7\u00e3o global que pudesse regular e controlar a economia, (mesmo que fosse necess\u00e1rio limitar a soberania dos estados nacionais) e finalmente um apelo de uma mudan\u00e7a radical para salvar a humanidade perante a crise do capitalismo<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>. Ainda que a an\u00e1lise de Zisek seja uma ideia feita<em>,<\/em> n\u00e3o parece que haja elementos estruturais para que aconte\u00e7a essa desejada mudan\u00e7a radical.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez David Harvey, numa outra abordagem, traz luz sobre a rela\u00e7\u00e3o do homem com a natureza e considera que o COVID-19, nada mais \u00e9 do que uma vingan\u00e7a da natureza sobre os quarenta anos de abuso e maltrato ambiental, fruto de um violento e desregulado extrativismo. Na sua opini\u00e3o e apesar de a coronav\u00edrus poder provocar consequ\u00eancias nefastas a longo prazo, tais como o desemprego, despedimentos em massa, intelig\u00eancia artificial, ele -o v\u00edrus- tem efeitos positivos, um deles o derrube do estilo consumista dos pa\u00edses opulentos que impactou negativamente o meio ambiente. Nessa senda, Harvey afirma o qu\u00e3o diminuiu a polui\u00e7\u00e3o resultado das quarentenas pelo mundo fora, fazendo os cisnes voltarem ao canal de Veneza<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>!<\/p>\n\n\n\n<p>Boaventura Sousa Santos tamb\u00e9m n\u00e3o ficou fora do debate e numa obra<a href=\"#_ftn6\">[6]<\/a> recente <em>A Cruel Pedagogia do V\u00edrus<\/em>, deixou clara essa rela\u00e7\u00e3o desequilibrada entre o homem e a natureza e que uma das li\u00e7\u00f5es ou dimens\u00f5es (culturais, sociais e econ\u00f3micas) do v\u00edrus \u00e9 o fato de ele refletir as desigualdades estruturais que caracterizam o hipercapitalismo<a href=\"#_ftn7\">[7]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, podemos dizer que tanto hoje como ontem as epidemias nunca deixaram indiferentes as sociedades. Se a maioria dos autores seculares acima referidos tendem a capitalizar o v\u00edrus e atrav\u00e9s dele fazer uma sociologia das aus\u00eancias e um grito dos invis\u00edveis (migrantes, refugiados, minorias etc), tamb\u00e9m no passado houve debates e pol\u00edticas sanit\u00e1rias para proteger as popula\u00e7\u00f5es das epidemias e das doen\u00e7as infeciosas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma tradi\u00e7\u00e3o higi\u00eanica e sanit\u00e1ria no Oriente M\u00e9dio e \u00c1frica<\/h2>\n\n\n\n<p>Nos mundos extraeuropeus houve uma tradi\u00e7\u00e3o higi\u00e9nica e sanit\u00e1ria para proteger-se das doen\u00e7as e epidemias e praticas curativas em tempos de grandes crises de sa\u00fade publica. Um dos espa\u00e7os que historicamente desempenhou um papel de lideran\u00e7a em termos das ci\u00eancias da sa\u00fade, da cura e da preven\u00e7\u00e3o s\u00e3o os pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, bem como na \u00c1frica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na pen\u00ednsula ar\u00e1bica, principalmente no per\u00edodo do advento da isl\u00e3, com os rituais que esta religi\u00e3o trouxe, a quest\u00e3o de sa\u00fade e de higiene passou a ser um pilar da vida e do espa\u00e7o do crente mu\u00e7ulmano<a href=\"#_ftn8\">[8]<\/a>. N\u00e3o apenas \u00e9 preciso fazer ablu\u00e7\u00e3o cinco vezes ao dia, mas \u00e9 necess\u00e1rio ser limpo para se dirigir ao divino e bem assim estar suficientemente apresent\u00e1vel e limpo para entrar num espa\u00e7o de culto t\u00e3o sagrado como a mesquita. Numa das <em>surat\/<\/em>cap\u00edtulos cor\u00e2nicos podemos ler o seguinte <em>&#8220;e, est\u00e3o-vos <strong>permitidas todas<\/strong> <strong>as coisas sadias<\/strong>, assim como vos \u00e9 l\u00edcito o alimento dos que receberam o Livro, da mesma forma que o vosso \u00e9 l\u00edcito para eles&#8221;<\/em><a href=\"#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&nbsp;&#8220;\u00d3 fi\u00e9is, sempre que vos dispuserdes a observar a ora\u00e7\u00e3o, <strong>lavai o rosto, as m\u00e3os<\/strong> e os antebra\u00e7os at\u00e9 aos cotovelos; <strong>esfregai a cabe\u00e7a<\/strong>, com as m\u00e3os molhadas e <strong>lavai os p\u00e9s<\/strong>, at\u00e9 os tornozelos. E, quando estiverdes polutos, <strong>higienizai-vos<\/strong>.&#8221;<a href=\"#_ftn10\">[10]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;A pr\u00f3pria comida evidencia esse carater de limpeza, citemos \u201cEst\u00e3o-vos vedados: a carni\u00e7a, o sangue, a carne de su\u00edno e tudo o que tenha sido sacrificado com a invoca\u00e7\u00e3o de outro nome que n\u00e3o seja o de Deus; os animais estrangulados, os vitimados a golpes, os mortos por causa de uma queda, ou chifrados, os abatidos por feras, salvo se conseguirdes sacrific\u00e1-los ritualmente\u201d<a href=\"#_ftn11\">[11]<\/a>. Em outro texto podemos ler \u201ccomo Deus vos tem disposto, porque Ele estima os que arrependem e <strong>cuidam da purifica\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d<a href=\"#_ftn12\">[12]<\/a>. Para al\u00e9m dessas recomenda\u00e7\u00f5es, a Isl\u00e3 sempre teve uma rela\u00e7\u00e3o de cuidado com o meio ambiente, assim encontram-se muitas <em>Ahadith\/ <\/em>palavras do Profeta Muhammad, avisando e aconselhando n\u00e3o poluir os rios, n\u00e3o beber das \u00e1guas estagnadas e n\u00e3o sujar o meio ambiente<a href=\"#_ftn13\">[13]<\/a>. Esse conjunto de medidas e recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o formas e estrat\u00e9gias do isl\u00e3 e da <em>chari\u2018a islamiyya<\/em>, isto \u00e9, legisla\u00e7\u00e3o religiosa mu\u00e7ulmana para se manter higi\u00eanico e saud\u00e1vel e prevenido de qualquer enfermidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0s doen\u00e7as infeciosas e epidemias em terras do Isl\u00e3, encontra-se toda uma serie de disposi\u00e7\u00f5es de jurisprud\u00eancia\/<em>ahkam fiqhiyya<\/em> que trata n\u00e3o apenas da preven\u00e7\u00e3o, mas das medidas que protegem nos momentos de pandemias. A leitura dos <em>ahadith<\/em> <em>sunniya <\/em>(ditos do profeta Muhammad) deixa claro que, uma vez declarados e descobertos casos de doen\u00e7as contagiosas e que se transformam em epidemias a escala maior, tais como a peste &#8211; conhecida nas narrativas \u00e1rabes como <em>al-Ta\u2018un <\/em>\u0627\u0644\u0637\u0627\u0639\u0648\u0646 e a lepra&nbsp; <em>al-juda\u2019m<\/em> \u0627\u0644\u062c\u0630\u0627\u0645 . Nesse contexto, a recomenda\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia e os <em>ahadith<\/em> s\u00e3o claros, \u00e9 preciso evitar frequentar os infetados pelo<em> Waba\u2019<\/em>&nbsp; (\u0627\u0644\u0648\u0628\u0627\u0621) \/v\u00edrus\/epidemia, assim como evitar entrar e viajar a lugares infetados e em caso de passagem por &nbsp;um lugar infetado n\u00e3o sair de modo a n\u00e3o espalhar a doen\u00e7a. Numa das narrativas\/<em>hadith<\/em> do profeta Muhammad pode se ler o seguinte sentido &#8220;<strong><em>a peste<\/em><\/strong><em> \/al-Ta\u2018un e <strong>uma enfermidade que Deus faz com que seus servos enfrentem<\/strong>, <strong>quando ouvirem de algum lugar infetado<\/strong> <strong>n\u00e3o entreis, e se estiveis em lugares infetados n\u00e3o fujais<\/strong><\/em>&#8220;<a href=\"#_ftn14\">[14]<\/a> . Noutra narrativa do profeta pode se ler &#8216;&#8221;<em>fujais da lepra como se fosse um le\u00e3o salvagem&#8221;<\/em><a href=\"#_ftn15\">[15]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo pode ser percebido numa hist\u00f3ria que teve lugar no per\u00edodo do sucessor \/<em>Khalifa<\/em> do profeta Muhammad, \u2018Umar Ibn al-Khattab (foi o segundo califa depois da morte do profeta) que, ao chegar ao Cham (atual S\u00edria e L\u00edbano) e ao ter conhecimento da peste, decidiu prudentemente e preventivamente retornar com sua delega\u00e7\u00e3o a Medina (cidade na atual Ar\u00e1bia Saudita)<a href=\"#_ftn16\">[16]<\/a>. &nbsp;A partir desses fatos, evidencia-se que a Isl\u00e3, como conjunto de leis e rituais orientadores para cada crente e as disposi\u00e7\u00f5es jurisprudentes deram maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o por meio da higiene, limpeza, lavagem, prote\u00e7\u00e3o (atrav\u00e9s da n\u00e3o frequ\u00eancia dos doentes, de n\u00e3o entrar ou sair dos lugares infetados)&nbsp; das doen\u00e7as infeciosas (al-\u2018Adwa)<a href=\"#_ftn17\">[17]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos transcendentais e filos\u00f3ficos, as epidemias e a finitude s\u00e3o tidas no Isl\u00e3 como uma prova\u00e7\u00e3o (<em>bala\u2019<\/em> \u0628\u0644\u0627\u0621) ao crente que nela deve mostrar for\u00e7a, paci\u00eancia, rigor, disciplina no que diz respeito ao acato das recomenda\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e f\u00e9 no destino divino para superar a afli\u00e7\u00e3o. Numa passagem cor\u00e2nica pode ler-se o seguinte \u201c<em>Bendito seja aquele em cujas m\u00e3os est\u00e1 a Soberania, e que \u00e9 onipotente; que<strong> criou a vida e a morte<\/strong>, <strong>para testar quem de v\u00f3s melhor se comporta<\/strong> \u2013 porque \u00e9 o Poderoso, o Indulgent\u00edssimo<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn18\">[18]<\/a>. Nessa \u00f3tica filos\u00f3fica e espiritual, a morte e as doen\u00e7as contagiosas s\u00e3o vistas n\u00e3o como um castigo divino, mas sim como um destino celestial. A pr\u00f3pria morte e finitude, nesse contexto de epidemia\/al-\u2018Adwa \u00e9 encarado como uma b\u00ean\u00e7\u00e3o&nbsp; para a vida eterna, uma vez que quem morre durante a peste \u00e9 considerado um m\u00e1rtir (<em>shahid<\/em>)<a href=\"#_ftn19\">[19]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, deu se um cuidado especial ao bom tratamento dos doentes, seja em que estado estiverem, e at\u00e9 os \u00faltimos dias na medida em que nunca se sabe quando se possa surgir uma cura.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Al\u00e9m destes dispositivos preventivos, constata-se tamb\u00e9m que a jurisprud\u00eancia mu\u00e7ulmana (<em>ahkam fiqhiyya<\/em>)<em>, <\/em>tem se dedicado a resolver as d\u00favidas relativas ao cumprimento dos rituais durante as doen\u00e7as (<em>al- \u2018Adwa) <\/em>bem como durante as pandemias (<em>al waba\u2019<\/em>). Nesse contexto \u00e9 recomendado evitar as aglomera\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o haja mistura de infetados e de saud\u00e1veis e por conseguinte propaga\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as. Da\u00ed que o infetado tem de ficar em isolamento, n\u00e3o deve frequentar as mesquitas para n\u00e3o transmitir sua enfermidade e contagiar outros crentes e evitar as ora\u00e7\u00f5es coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, quando a doen\u00e7a se propaga em um local, as recomenda\u00e7\u00f5es jurisprudentes s\u00e3o a favor do fechamento dos lugares de culto e at\u00e9 da anula\u00e7\u00e3o de eventos grandiosos e simb\u00f3licos em termos religiosos, tais como a peregrina\u00e7\u00e3o a Mekka<a href=\"#_ftn20\">[20]<\/a>, que \u00e9 um dos cinco pilares do Isl\u00e3 e um dos sonhos de todos os fi\u00e9is. Vale sublinhar que em diversos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos foram decretados estados de emerg\u00eancia sanit\u00e1ria e foram encerradas as mesquitas e a pr\u00f3pria peregrina\u00e7\u00e3o (<em>hajj)<\/em> a Mekka foi cancelada pelo reino da Arabia Saudita, o que deu para ver pela primeira vez a <em>al-Kaaba<\/em> e seu espa\u00e7o ao redor vazio de qualquer crente<a href=\"#_ftn21\">[21]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo foi decretado em rela\u00e7\u00e3o a peregrinos ugandeses, que em 2001 foram proibidos de cumprir seu <em>hajj <\/em>e ir a Mekka, uma vez que o pa\u00eds estava infestado pelo v\u00edrus do \u00e9bola. Ainda em rela\u00e7\u00e3o ao <em>hajj, <\/em>por norma obrigat\u00f3ria durante os \u00faltimos dias da peregrina\u00e7\u00e3o osperegrinos (<em>hujaj)<\/em> tem que cortar seus cabelos, ora se o peregrino tiver uma doen\u00e7a que n\u00e3o lhe permite cortar seu cabelo, recomenda-se a jurisprud\u00eancia de evitar tal ritual para n\u00e3o contaminar os outros. Foi justamente essa amea\u00e7a de cont\u00e1gio que levou a Arabia Saudita, perante a pandemia de Covid 19, a cancelar o per\u00edodo anual da peregrina\u00e7\u00e3o que habitualmente junta milh\u00f5es de fi\u00e9is vindos de todos os pa\u00edses do mundo.&nbsp; A base legal \u00e9 o vers\u00edculo seguinte de \u201c<em>Fazei disp\u00eandios pela causa de Deus, <strong>sem permitir que as vossas m\u00e3os contribuam para vossa destrui\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d<a href=\"#_ftn22\"><strong>[22]<\/strong><\/a><\/em><em>.<\/em> Em outro lugar h\u00e1 uma expl\u00edcita recomenda\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria para n\u00e3o propagar doen\u00e7as. Citemos: \u201c<em>E cumpri a peregrina\u00e7\u00e3o a Umra, a servi\u00e7o de Deus. Por\u00e9m, se fordes impedidos disso, dedicai uma oferenda do que vos seja poss\u00edvel e n\u00e3o corteis os vossos cabelos at\u00e9 que a oferenda tenha alcan\u00e7ado o lugar destinado ao seu sacrif\u00edcio. <strong>Quem de v\u00f3s se encontrar enfermo, ou sofrer de alguma infe\u00e7\u00e3o na cabe\u00e7a, e a raspar, redimir-se-\u00e1 mediante o jejum, a caridade ou a oferenda<\/strong><\/em>\u201d<a href=\"#_ftn23\">[23]<\/a>. S\u00e3o textos can\u00f3nicos que evidenciam o cuidado que se deve ser tomado num contexto de crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que tamb\u00e9m foi contemplado \u00e9 os casos daquele que propaga a doen\u00e7a contagiosa de forma premeditada. A maioria dos \u2018<em>Ulama\/<\/em> <em>fuqaha , <\/em>isto \u00e9, juristas consideram tal conduta uma esp\u00e9cie de dano irrepar\u00e1vel (<em>fasad)<\/em> que iguala o assassinato de modo indireto. Esse assunto foi frequentemente analisado aquando da HIV e hoje ainda por causa do Covid-19, em que o risco de transmitir a doen\u00e7a a outras pessoas \u00e9 elevado com o agravamento de n\u00e3o existir tratamento ou uma vacina.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante esse perigo, o Isl\u00e3 aconselhou o <strong>confinamento<\/strong>, ou seja, se manter afastado das pessoas doentes e\/ou dos saud\u00e1veis quando a pr\u00f3pria pessoa est\u00e1 infetada. O confinamento (ou <strong><em>al-hajr al-ssihi<\/em><\/strong><em>)<\/em> foi uma pr\u00e1tica seguida na terra da isl\u00e3 em tempos em que epidemias como a peste ou a lepra deixavam milhares de mortos. Ironia da hist\u00f3ria, estamos hoje perante a maior experi\u00eancia de confinamento jamais vivida desde a gripe espanhola, com a caracter\u00edstica do que hoje a humanidade, com todo o seu arsenal tecnol\u00f3gico e sanit\u00e1rio, tem conseguido bloquear a morte de dezenas de milhares de pessoas como acontece com os EUA. Talvez isso nos remeta \u00e0 nossa fragilidade e ao fato de seremos apenas uma parte de um todo no universo de seres vivos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Experi\u00eancias modernas no Norte da \u00c1frica<\/h2>\n\n\n\n<p>Em outro espa\u00e7o, desta vez no Norte de \u00c1frica e num contexto moderno, posterior ao medievo, temos muitas narrativas da \u00e9poca e estudos que descrevem as consequ\u00eancias dessas epidemias, que eram muitas vezes acompanhadas do flagelo da fome.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Num dos trabalhos cl\u00e1ssicos sobre as fomes e epidemias no Norte de Africa e no Marrocos, em particular nos s\u00e9culos XVI e XVII, \u201cFamines et Epidemies au Maroc aux XVIe ET XVIIe Siecles\u201d de Bernard Rosenberger e Hamid Triki, temos um panorama amplo de tamanho dessas cat\u00e1strofes sanit\u00e1rias e de suas consequ\u00eancias sobre as popula\u00e7\u00f5es e o pr\u00f3prio Estado marroquino.&nbsp; Nesse estudo ficamos a saber a hist\u00f3ria das epidemias no Marrocos e em \u00c1frica, sua cronologia, causas, consequ\u00eancias e repercuss\u00f5es a n\u00edvel da economia, da demografia, pol\u00edtica, sociedade, cultura, crise de consci\u00eancia, seguran\u00e7a assim como as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o mundo exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o cronista \u00e1rabe Le\u00e3o, o Africano, \u201c<em>a peste \/al-ta\u2018un, ou waba\u2019 se manifesta em Berberia (Marrocos e a regi\u00e3o do atual Magreb) cada dez, quinze ou vinte cinco anos, e quando adv\u00e9m causa a morte de muita gente<\/em>\u201d. Nesse prisma, o estudo da hist\u00f3ria das epidemias tem uma import\u00e2ncia maior em termos hist\u00f3ricos, uma vez que nos permite ter uma no\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, da economia, das transforma\u00e7\u00f5es sociais e dos movimentos pol\u00edticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do per\u00edodo em quest\u00e3o, isto \u00e9, o s\u00e9culo XVI e XVI s\u00e3o os mais decisivos na forma\u00e7\u00e3o do Marrocos contempor\u00e2neo<a href=\"#_ftn24\">[24]<\/a>. Fontes e narrativas \u00e1rabes e europeias constituem um manancial de informa\u00e7\u00f5es para reconstruir a hist\u00f3ria e iluminar tais acontecimentos. Com efeito, se por um lado pouco se sabe sobre as consequ\u00eancias da peste negra do s\u00e9culo XIV sobre a popula\u00e7\u00e3o de Norte de Africa, existem provas do que as epidemias do s\u00e9culo XV foram mort\u00edferas. &nbsp;S\u00e3o conhecidas as epidemias de 1441-1442 (846 H) e de 1468-1469. A primeira durou 18 meses e causou entre 400 e 500 mortos por dia, j\u00e1 a segunda epidemia causou a morte de 500 mil pessoas nas cidades e 100 mil no campo<a href=\"#_ftn25\">[25]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Alguns autores encontram origem na queda de Granada e chegada de muitos refugiados que foram expulsos da pen\u00ednsula ib\u00e9rica por decreto dos reis cat\u00f3licos em 1492, sendo que muitos deles trouxeram a epidemia. Um ano depois, em 1493, a cidade de Fez foi atingida pela peste, ao que tudo indica foi trazida pelos refugiados andaluzes, causando vinte mil mortos na cidade entre mu\u00e7ulmanos e judeus<a href=\"#_ftn26\">[26]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada do s\u00e9culo XVI trouxe novos desafios sanit\u00e1rios e de sa\u00fade publica. Nesse sentido, a peste e a fome que assolou o pa\u00eds em 1520 e 1521 foi durante muito tempo registrada na mem\u00f3ria dos que sobreviveram e que, gra\u00e7as \u00e0s fontes portuguesas, podemos ter uma ideia da gravidade do horror causado por duas calamidades: a peste e a fome. Por meio das fontes portuguesas da \u00e9poca podemos concluir que a peste de 1521 demorou tr\u00eas anos e matou milhares de pessoas. Foi t\u00e3o dram\u00e1tica que pessoas come\u00e7aram a se vender uns aos outros para ter comida e n\u00e3o morrer de fome e doen\u00e7a<a href=\"#_ftn27\">[27]<\/a>. Esta foi \u00ab<em>t\u00e3o brava e contagiosa\u00bb <\/em>causando no dizer do cronista portugu\u00eas Bernardo Rodrigues (s\u00e9culo XVI) tanta morte e afli\u00e7\u00e3o \u00ab<em>cousa nunca vista nem ouvida\u00bb<a href=\"#_ftn28\"><strong>[28]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Perante esse cen\u00e1rio de morte, os efeitos foram plurais, demogr\u00e1ficos com a perda de milhares de pessoas, esvaziamento de espa\u00e7os territoriais e morte de uma elite ilustrada. Em termos pol\u00edticos, a crise sanit\u00e1ria causou o fortalecimento da dinastia Saadida e o enfraquecimento dos portugueses que ocupavam o litoral marroquino<a href=\"#_ftn29\">[29]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos econ\u00f4micos e sociais pode-se dizer que a peste contribuiu para a diminui\u00e7\u00e3o dos contatos comerciais; o medo do cont\u00e1gio levou com que as caravanas que vinham de \u00c1frica subsaariana e do Sud\u00e3o Ocidental parassem de chegar. Por outro lado, o recuo da popula\u00e7\u00e3o causado pela morte de milhares de pessoas levou ao esvaziamento dos centros urbanos e \u00e0 predomin\u00e2ncia do nomadismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Superada essa crise, um outro aparecimento da peste em 1557-1558 foi t\u00e3o devastador que, ao atacar a cidade de Fez, causou tr\u00eas mil mortos por dia ao longo de dois meses e na cidade de Marrakech deixou mais de 300 mil v\u00edtimas, informa\u00e7\u00e3o tanto atestada pelo cronista marroquino al-Nasiri, na sua obra <em>al-Istiqsa\u2019<\/em> bem como por fontes portuguesas. As mesmas narrativas afirmam a morte de 7500 da comunidade judaica marroquina<a href=\"#_ftn30\">[30]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em finais do seculo XVI e in\u00edcio de XVII 1592 verifica-se o retorno das epidemias como fator de desequil\u00edbrio pol\u00edtico, econ\u00f4mico, demogr\u00e1fico e sociocultural. Nesse sentido o <em>waba\u2019\/<\/em>epidemia que assolou o pa\u00eds de 1597 a 1608 e \/ou 1620 foi fatal, tendo em considera\u00e7\u00e3o o n\u00famero de mortos, mil por dia na cidade de Fez, dois mil por dia na capital Marrakech e um total de 450 mil segundo uma fonte espanhola<a href=\"#_ftn31\">[31]<\/a> citada por Rosenberger.<\/p>\n\n\n\n<p>Politicamente falando, a peste enfraqueceu o <em>Makhzan\/<\/em> aparelho estatal e a fazenda p\u00fablica, visto que o com\u00e9rcio estagnou, bem como atingiu as for\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o jovens e as for\u00e7as pensantes dos letrados. O carisma com a qual o Sult\u00e3o governava e controlava perdeu sua efic\u00e1cia dando lugar \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 anarquia. Tal estado pol\u00edtico permitiu a inger\u00eancia estrangeira sobretudo dos espanh\u00f3is que tinham um projeto de expans\u00e3o permanente no Norte de \u00c1frica e em particular Marrocos<a href=\"#_ftn32\">[32]<\/a> .<\/p>\n\n\n\n<p>Terminada a fase \u00e1urea de Muhammad al-Mansur al-Dahbi, abriu se uma nova era de instabilidade, em boa medida causada pelos desastres sanit\u00e1rios. O s\u00e9culo XVII foi uma continuidade de epidemias, com agravamento do vazio pol\u00edtico e da anarquia geral. Foi nesse contexto que surgiu a dinastia \u2018Alaouita, que reina desde ent\u00e3o e at\u00e9 hoje em Marrocos, marcando dessa forma uma nova fase da hist\u00f3ria marroquina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Questionamentos terrenos e transcendentais<\/h2>\n\n\n\n<p>Os dramas causados pelas epidemias na terra do Isl\u00e3 levantaram questionamentos terrenas e transcendentais tal como: seria um castigo divino? Ou um atraso na medicina? Seria um sinal do decl\u00ednio pol\u00edtico e econ\u00f4mico em rela\u00e7\u00e3o ao Ocidente industrial?<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje tamb\u00e9m se fazem os mesmos questionamentos: &nbsp;onde falharam os sistemas de sa\u00fade das grandes pot\u00eancias? Por que essa paralisia perante um v\u00edrus como Covid 19? qual \u00e9 o sentido da mortandade que tem sido registrada pelo mundo fora? Eis que as emo\u00e7\u00f5es se misturam com a raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem considere, perante a incapacidade de enfrentar o v\u00edrus, a ideia de se conformar ao fatalismo e ao destino da morte e da finitude e h\u00e1 quem veja nessa epidemia um momento de repensar nossa maneira de ser e estar no planeta terra. Este v\u00edrus, que veio para ficar e que seguramente n\u00e3o ser\u00e1 o \u00fanico, abre uma janela de incertezas sobre nossa fragilidade e nossa eterna finitude, ideias caras para pensadores mu\u00e7ulmanos como Averr\u00f3is ou Ibn Arabi e toda a m\u00edstica mu\u00e7ulmana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Mestre e Doutor em Hist\u00f3ria pela Universidade de Coimbra, p\u00f3s graduado em Rela\u00e7\u00f5es internacionais, diplomacia e meio de comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade Complutense de Madrid-Espanha, p\u00f3s doutorando em Direito pelo PPGD-Universidade Federal de Santa Maria, RS. Pesquisador do GPDS-UFSM, pesquisador associado do GECAP-UFSM, do CHSC-FLUC- Universidade de Coimbra, do Centro de estudos Africanos da Universidade do Porto- Ex docente na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e na Faculdade de Letras da Universidade de Rabat e na RI-UFSM.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Una MacLean<em>: Yoruba Sickness Behavior<\/em>, IN: London JB (ed), Social Anthropology and Medicine, ASA Monograph # 13. London: Academic Press, 1976.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Giorgio Agamben e al, <em>Sopa de Wuhan<\/em>, ed. Aspo, Mar\u00e7o 2020, artigo de 26 de febrero \u201cLa invenci\u00f3n de una epidemia\u201d pp. 17-21.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Slavoj \u017di\u017dek, \u201cEl coronavirus es un golpe al capitalismo a lo Kill Bill&#8230;\u201d in <em>Sopa de Wuhan<\/em>, pp. 21-28.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> David Harvey, Pol\u00edtica anticapitalista en tiempos de coronavirus, &#8230;\u201d&nbsp; artigo de 22 de mar\u00e7o de 2020 in <em>Sopa de Wuhan, <\/em>pp. 79-97.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Boaventura de Sousa Santos, <em>A Cruel Pedagogia do V\u00edrus<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es al-Medina, Coimbra, 2020, pp. 32.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> Ibid.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> Husam Hassan Husni abu Hamad, <em>Ahkam naql al-Amrad al-Mu\u2018diyya : Dirasa fiqhiyya, <\/em>disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, Universidade al-Quds\/Jerusal\u00e9m Palestina, 2016, p.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> O Cor\u00e3o, Surat <em>al-Ma\u2019ida<\/em>,&nbsp; Aya\/vers\u00edculo, 5<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> Ibid, vers\u00edculo 6.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a> Ibid, Vers\u00edculo 3.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\">[12]<\/a> O Cor\u00e3o, Surat <em>al-Baqara<\/em>, Aya\/vers\u00edculo 222.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\">[13]<\/a> Al-Bukhari <em>, al-Sahih, <\/em>&nbsp;hadith numero 239 e 283 e 2472.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\">[14]<\/a> Muslim, <em>al-musnad al-Sahih<\/em>, Livro, al-salam, cap. al-Ta\u2018un\/a peste, hadith n\u00famero 2218 .<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\">[15]<\/a> Al-Bukhari, <em>al-Sahih<\/em>, Livro, al Teb\/medicina, cap. al-Juda\u2019m\/ a lepra, hadith n\u00famero 5707.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\">[16]<\/a> Al-Hachemi, <em>Mawqif al Chari\u2018a al-Islamiyya mina al-Amrad al- Mu\u2018diyya, <\/em>(a posi\u00e7\u00e3o da lei can\u00f3nica mu\u00e7ulmana\/<em>chari \u2018a <\/em>para com as doen\u00e7as infecciosas), link.&nbsp; &nbsp;<a href=\"mailto:sultan.i@qu.edu.qa\">sultan.i@qu.edu.qa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\">[17]<\/a> Al-\u2018Adwa significa em \u00e1rabe doen\u00e7as contagiosas. Da raiz \u2018dw o que curiosamente tem algo em comum de ponto de vista etimol\u00f3gica com al-\u2018Aduw, isto \u00e9, o inimigo.&nbsp; Desse prisma as doen\u00e7as infeciosas, al\u00e9m de infetarem outras pessoas saud\u00e1veis, s\u00e3o tidas como um inimigo para a sa\u00fade publica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\">[18]<\/a> O Cor\u00e3o, <em>Surat al-Mulk<\/em>, Aya\/Vers\u00edculo 1 e 2.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\">[19]<\/a> Al-Bukhari, <em>Sahih al -bukhari, <\/em>livro da medicina, cap. <em>ajr al-Sabir fi al-Ta \u2018un <\/em>(recompensa de quem \u00e9 paciente durante a peste), hadith n\u00famero: 5733.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\">[20]<\/a> Husam Hassan Husni abu Hamad, <em>Ahkam naql al-Amrad al-Mu\u2018diyya : Dirasa fiqhiyya, <\/em>disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, Universidade al-Quds\/Jerusal\u00e9m Palestina, 2016, p.&nbsp; 54.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\">[21]<\/a> O mesmo foi registado no Vaticano, em que foram canceladas as hom\u00edlias do Papa assim como as visitas de milhares de fi\u00e9is \u00e0 pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro. O mesmo n\u00e3o se pode dizer relativamente ao Brasil, em que houve uma discuss\u00e3o acesa entre governantes e l\u00edderes religiosos, que n\u00e3o s\u00f3 desacreditaram na exist\u00eancia do coronav\u00edrus, como desafiaram as autoridades dizendo que indo as igrejas nada iria acontecer e haveria curas milagrosas pela ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\">[22]<\/a> O Cor\u00e3o, <em>Surat al baquara, <\/em>vers\u00edculo n\u00famero. 195<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\">[23]<\/a> Ibid, vers\u00edculo n\u00famero 196.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\">[24]<\/a> Bernard Rosenberger e Hamid Triki, \u00abFamines et Epid\u00e9mies au Maroc aux XVIe ET XVIIe Si\u00e8cles\u00bb in <em>Hesperis Tamuda<\/em>, Vol. XIV &#8211; Fascicule unique, Rabat, 1973, p. 110.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\">[25]<\/a> Dr H.P.J. Renaud, \u00abRecherches historiques sur les \u00e9pid\u00e9mies du Maroc. Les \u00ab pestes \u00bb des XVe et XVIe si\u00e8cles \u00bb, in.<em> M\u00e9l. D\u2019\u00e9tudes luso-marocaines d\u00e9di\u00e9es \u00e0 la m\u00e9moire de David Lapes et Pierre de C\u00e9nival<\/em>. Lisboa, Paris, 1945, pp. 363-389; Bernard Rosenberger e H. Triki, <em>art.cit, <\/em>p. 113.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\">[26]<\/a> Ibid, p. 114.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\">[27]<\/a> Bernardo Rodrigues, <em>Anais<\/em><em> de Arzila, <\/em>t. I, p. 326; B. Rosenberger e H. <em>Triki, art.cit<\/em>, pp.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\">[28]<\/a> Bernardo Rodrigues, <em>Anais<\/em><em> de Arzila, <\/em>t. I, p. 327.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\">[29]<\/a> B. Rosenberger, <em>art.cit, Hesperis Tamuda<\/em>, Vol. XIV &#8211; Fascicule unique, Rabat, 1973, p. 143.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\">[30]<\/a> B. Rodrigues, <em>Anais de Arzila<\/em>, t. II, suppl., pp. 475-476; B. Rosenberger, <em>art.cit, <\/em>Vol. XIV, p. 153.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\">[31]<\/a> H. Sancho, <em>Relaciones mercantiles entre Cadiz <\/em>y <em>Marruecos a fines del <\/em>siglo XVI, Mauritania, agosto 1946, p. 184.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\">[32]<\/a> B. Rosenberger, <em>art.cit<\/em>, p. 163 e 172.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tanto hoje como ontem as epidemias nunca deixaram indiferentes as sociedades. Se a maioria dos autores seculares tendem a capitalizar o v\u00edrus e atrav\u00e9s dele fazer uma sociologia das aus\u00eancias e um grito dos invis\u00edveis (migrantes, refugiados, minorias etc), tamb\u00e9m no passado houve debates e pol\u00edticas sanit\u00e1rias para proteger as popula\u00e7\u00f5es das epidemias e das doen\u00e7as infeciosas. Por Mohammed Nadir<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":229,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[11,38,44,89,90,97,96,110,127,132],"class_list":["post-214","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ayan-agalu","tag-africa","tag-confinamento","tag-covid-19","tag-higiene","tag-historia","tag-isla","tag-islamismo","tag-marrocos","tag-norte-da-africa","tag-oriente-medio"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/igorcastellano.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/insta_20200826_epidemias-e-finitude.png","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}