{"id":281,"date":"2024-03-17T01:03:00","date_gmt":"2024-03-17T04:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ayanagalu.wordpress.com\/?p=281"},"modified":"2024-03-17T01:03:00","modified_gmt":"2024-03-17T04:03:00","slug":"ciencia-e-conhecimento-no-mundo-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/ciencia-e-conhecimento-no-mundo-digital\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia e Conhecimento no Mundo Digital"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\"><em>por Igor Castellano e Gabriela Schneider<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Certamente voc\u00ea j\u00e1 deve ter se deparado com termos como &#8220;Era do Conhecimento&#8221;, &#8220;Era da Informa\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;Era das Redes&#8221;. Esses conceitos s\u00e3o frequentemente utilizados para compreender muitos aspectos do mundo contempor\u00e2neo. No entanto, \u00e9 essencial desvendar o verdadeiro significado por tr\u00e1s deles. Na realidade, esses conceitos emergiram devido \u00e0 nossa inser\u00e7\u00e3o na Era, no mundo, Digital. Esta era em que vivemos \u00e9 caracterizada por uma not\u00e1vel descentraliza\u00e7\u00e3o de redes de comunica\u00e7\u00e3o, composta por n\u00facleo de potentes processadores computacionais. \u00c9 por esse motivo que podemos tamb\u00e9m afirmar que vivemos na Era da Informa\u00e7\u00e3o, uma \u00e9poca marcada pela dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. No entanto, essa profus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o necessariamente resulta na produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o equivalentes de conhecimentos relevantes.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Economia do Conhecimento na Era Digital<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O anseio por uma humanidade em que o conhecimento seja mais acess\u00edvel e aprofundado \u00e9 evidente. N\u00e3o se pode negar que nas \u00faltimas d\u00e9cadas houve progressos significativos na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao conhecimento. A facilidade de acesso a informa\u00e7\u00f5es por meio da internet; a melhoria e o barateamento em tecnologias de captura, edi\u00e7\u00e3o, processamento e distribui\u00e7\u00e3o; e a crescente participa\u00e7\u00e3o das pessoas na cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado audiovisual t\u00eam contribu\u00eddo para a amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao, e a produ\u00e7\u00e3o do, conhecimento. Embora os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos tenham possibilitado uma maior dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento, a efetiva democratiza\u00e7\u00e3o e o aprofundamento desse conhecimento permanecem desafios complexos que a sociedade contempor\u00e2nea enfrenta. <\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, a quest\u00e3o que se coloca \u00e9<strong>: qual \u00e9 o tipo de conhecimento que est\u00e1 sendo gerado e ao qual estamos sendo expostos?<\/strong> Esse aspecto est\u00e1 intrinsecamente ligado \u00e0s informa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo disseminadas, \u00e0 solidez das bases nas quais o conhecimento \u00e9 constru\u00eddo e \u00e0 responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 veracidade das informa\u00e7\u00f5es. Nesse aspecto, o que temos observado \u00e9 uma prolifera\u00e7\u00e3o do conhecimento em diversas \u00e1reas, mas tamb\u00e9m uma not\u00e1vel fragmenta\u00e7\u00e3o e superficialidade em muitos casos. Vivemos em uma \u00e9poca em que a informa\u00e7\u00e3o flui mais facilmente, mas nem sempre se traduz em um conhecimento aprofundado e cientificamente constitu\u00eddo. A dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento parece ter sido ampliada, mas nem sempre \u00e9 acompanhada por sua an\u00e1lise cr\u00edtica e eticamente comprometida.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, devemos nos perguntar: <strong>quem det\u00e9m o controle e o lucro sobre o que nos \u00e9 apresentado?<\/strong> Nem todo conte\u00fado produzido chega at\u00e9 n\u00f3s, e essa sele\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0s redes que constru\u00edmos e utilizamos, ao tipo de conte\u00fado que \u00e9 gerado e promovido, aos algoritmos das redes sociais e at\u00e9 mesmo \u00e0 linguagem empregada naquilo que produzimos. Se, em uma sociedade capitalista, tudo acaba sendo transformado em mercadoria e, atualmente, vendido em uma economia de marketing digital, \u00e9 v\u00e1lido refletir se o conhecimento est\u00e1 gradativamente se tornando um produto com valor de mercado. Afinal, h\u00e1 uma din\u00e2mica em que pessoas podem lucrar com a dissemina\u00e7\u00e3o de conhecimento. Hoje em dia, encontramos um acesso surpreendente a conhecimentos no mundo digital, algo que dificilmente poder\u00edamos ter imaginado no passado. Nem t\u00e3o antigamente o nosso conhecimento vinha da TV, do r\u00e1dio, dos jornais que l\u00edamos, ou das conversas com pessoas que tinham conhecido coisas diferentes ou as mesmas coisas sob perspectivas diferentes. Por\u00e9m, agora somos bombardeados com milhares de informa\u00e7\u00f5es que precisamos digerir. E todos esses peda\u00e7os de conhecimento fazem parte de uma economia &#8211; uma economia na qual dinheiro muda de m\u00e3os. H\u00e1 aqueles que lucram e aqueles que pagam.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, uma \u00faltima quest\u00e3o central \u00e9: <strong>quem s\u00e3o os produtores desse conhecimento que n\u00f3s consumimos?<\/strong> E quando chegamos nesse ponto, naturalmente, precisamos lidar com outras duas quest\u00f5es importantes. Primeiro, quem exatamente s\u00e3o esses indiv\u00edduos ou grupos sociais que est\u00e3o gerando o conhecimento que consumimos diariamente? Refiro-me \u00e0queles que est\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es que a sociedade e o Estado estabeleceram para produzir conhecimento com base t\u00e9cnica, profundidade e rigor \u2013 a ci\u00eancia. Mas onde a ci\u00eancia se encaixa nesse processo de cria\u00e7\u00e3o, acesso e propoga\u00e7\u00e3o de conhecimentos? Ela ainda desempenha um papel significativo na propaga\u00e7\u00e3o do conhecimento que estamos absorvendo atualmente?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem Produz o Conhecimento que Consumimos?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Podemos iniciar percebendo quem realmente est\u00e1 por tr\u00e1s do conhecimento que preenche nossas redes sociais. D\u00ea uma olhada na sua timeline agora e veja o que surge. N\u00e3o s\u00e3o apenas pessoas compartilhando suas vidas ou narrativas pessoais, o que \u00e9 completamente compreens\u00edvel. O que observamos em grande parte \u00e9 gente transmitindo conhecimento ou tentando oferecer informa\u00e7\u00f5es sobre uma variedade de t\u00f3picos: desde assuntos relacionados ao estilo de vida, beleza e alimenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 quest\u00f5es mais t\u00e9cnicas, como instalar uma TV, fazer furos em paredes, cultivar plantas, alcan\u00e7ar a felicidade, compreender pol\u00edtica, investir em a\u00e7\u00f5es no mercado financeiro e criptomoedas, analisar filmes e at\u00e9 decifrar elementos pol\u00edticos. Vemos interpreta\u00e7\u00f5es vindas de todos os lados.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, felizmente, muitos de n\u00f3s se colocou na posi\u00e7\u00e3o de protagonista na compreens\u00e3o do mundo e n\u00e3o se sente constrangido em propogar as suas ideias (inclusive, as totalmente conden\u00e1veis). Contudo, o que frequentemente encontramos n\u00e3o \u00e9 necessariamente o protagonismo daqueles que realmente estudaram a fundo o assunto e s\u00e3o pagos pela sociedade para produzir conhecimento sob bases criteriosas e transparentes em rela\u00e7\u00e3o a um assunto ou objeto em espec\u00edfico. Tomemos a m\u00eddia como exemplo: aqueles que comentam sobre a pol\u00edtica na \u00c1frica ou os conflitos no continente n\u00e3o costumam ser especialistas em assuntos africanos, e quem analisa a pol\u00edtica dos Estados Unidos ou a diplomacia americana n\u00e3o \u00e9 necessariamente um estudioso da hist\u00f3ria dos Estados Unidos. \u00c0s vezes, estamos consumindo conte\u00fado at\u00e9 mesmo de comediantes, e embora o que eles compartilhem n\u00e3o seja necessariamente incorreto ou falho, frequentemente \u00e9 mais opini\u00e3o do que conhecimento factual. \u00c9 por isso que estamos vivendo na era dos &#8220;opinistas&#8221;, onde todo mundo tem uma opini\u00e3o e fornece dicas sobre como enfrentar a vida e resolver problemas p\u00fablicos ou privados.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de conhecimento se tornou essencial na sociedade, ou seja, \u00e9 um tipo de conhecimento que atrai aten\u00e7\u00e3o e vende, tem potencial de monetiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 circula amplamente, mas tamb\u00e9m gera lucros substanciais. Est\u00e1 mais preocupado com convencer, dar certezas, do que com a constru\u00e7\u00e3o de insumos para sermos capazes de conhecer melhor por n\u00f3s mesmos. Muitas vezes, esse conhecimento adentra o territ\u00f3rio da ci\u00eancia, abrangendo temas como aquecimento global, pol\u00edtica, sociedade, economia, ra\u00e7a, g\u00eanero e hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 pertinente que paremos para refletir e investigar quem, de fato, est\u00e1 por tr\u00e1s da produ\u00e7\u00e3o desse conhecimento que consumimos. Na maioria dos casos, essas figuras n\u00e3o s\u00e3o os principais geradores de conhecimento cient\u00edfico. Elas n\u00e3o ocupam posi\u00e7\u00f5es como proeminentes pesquisadores ou pesquisadoras. Elas n\u00e3o est\u00e3o sendo remuneradas pelo Estado ou por institui\u00e7\u00f5es educacionais privadas com foco em ensino, forma\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia para se dedicarem ao estudo, an\u00e1lise cr\u00edtica de seus conhecimentos e para gerarem conhecimento temporariamente v\u00e1lido por meio da pesquisa, forma\u00e7\u00e3o ou divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica voltada \u00e0 sociedade. Se consumimos um tipo de conhecimento que n\u00e3o \u00e9 necessariamente embasado na ci\u00eancia, mas que, de alguma forma, consideramos aceit\u00e1vel, surge a pergunta: onde est\u00e3o aqueles que efetivamente produzem conhecimento cient\u00edfico? O que eles est\u00e3o fazendo? Por que n\u00e3o temos acesso \u00e0s suas contribui\u00e7\u00f5es? <\/p>\n\n\n\n<p>Bem, aqueles que est\u00e3o engajados na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico frequentemente est\u00e3o sobrecarregados com atividades que n\u00e3o condizem com a relev\u00e2ncia da sua atua\u00e7\u00e3o na sociedade. Eles est\u00e3o sobrecarregados com atividades formais, como avaliar alunos e preparar aulas, muitas vezes associadas a conte\u00fados tediosos e pesados \u2013 ainda \u00e9 essa a forma predominante de avalia\u00e7\u00e3o exigida pelas institui\u00e7\u00f5es de ensino ao redor do mundo, especialmente no Brasil. Al\u00e9m disso, eles s\u00e3o sobrecarregados com atividades de gest\u00e3o, tanto no que diz respeito \u00e0 gest\u00e3o de sua pr\u00f3pria atividade cient\u00edfica quanto \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de processos e organiza\u00e7\u00f5es educacionais. Acrescenta-se ainda a sobrecarga com atividades de extens\u00e3o universit\u00e1ria, geralmente focada em pequenas comunidades e grupos, o que n\u00e3o \u00e9 insignificante, mas, infelizmente, o conhecimento por eles gerado n\u00e3o est\u00e1 sendo adequadamente difundido nas propor\u00e7\u00f5es do mercado digital.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, esses indiv\u00edduos est\u00e3o sobrecarregados por atividades de pesquisa conduzidas numa linguagem excessivamente formalista, projetada para a aprova\u00e7\u00e3o em renomadas revistas cient\u00edficas e para alcan\u00e7ar um impacto no \u00e2mbito cient\u00edfico. No entanto, tal impacto n\u00e3o \u00e9 avaliado com base em seu efeito na sociedade, mas sim pelo n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es por outros trabalhos cient\u00edficos, igualmente herm\u00e9tico. <\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, atualmente, a ci\u00eancia n\u00e3o parece estar empenhada em criar conhecimento acess\u00edvel e difundi-lo por meio das redes globais interconectadas utilizando uma linguagem compreens\u00edvel. Al\u00e9m disso, os cientistas que possuem maior presen\u00e7a nas redes sociais frequentemente as utilizam para outros fins que n\u00e3o a divulga\u00e7\u00e3o de seus conhecimentos e forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Al\u00e9m de escassos, os esfor\u00e7os para disseminar a ci\u00eancia pelas institui\u00e7\u00f5es tradicionais (Universidades) muitas vezes resultam em conte\u00fado de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de qualidade inferior quando comparados aos produzidos por grandes influenciadores digitais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Maior Desafio da Ci\u00eancia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Portanto, a ci\u00eancia enfrenta um desafio significativo e existencial. Ele \u00e9 <strong>o desafio da comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>. Ou seja, como exatamente comunicar, compartilhar e difundir o conhecimento que \u00e9 produzido. Ao longo da hist\u00f3ria, a ci\u00eancia tem sido dependente de um ,meio de comunica\u00e7\u00e3o bastante restrito e especializado, conhecido como divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Embora esse meio tenha o potencial de transmitir o conhecimento cient\u00edfico, v\u00e1rios problemas est\u00e3o associados a ele. <\/p>\n\n\n\n<p>Primeiramente, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica raramente alcan\u00e7a o mesmo alcance da m\u00eddia convencional e, frequentemente, aborda t\u00f3picos semelhantes aos da m\u00eddia convencional. O acesso a esse tipo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 notavelmente limitado devido \u00e0 formalidade peculiar associada \u00e0 ci\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica frequentemente deixa a desejar em rela\u00e7\u00e3o a v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento. Ela tende a privilegiar as ci\u00eancias exatas e naturais, enquanto negligencia as ci\u00eancias sociais e humanas como componentes vitais do espectro do conhecimento cient\u00edfico que deveriam ser compartilhados e disseminados.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro ponto a ser considerado \u00e9 a alta assimetria e arbitrariedade na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Muitas vezes, ela concentra sua aten\u00e7\u00e3o nas disciplinas que est\u00e3o no cerne do sistema capitalista, deixando de lado conhecimentos provenientes de esferas menos centrais. Ela tamb\u00e9m tende a omitir conhecimentos gerados por perspectivas diversas, locais ou alternativas, n\u00e3o os referenciando adequadamente. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, muitas vezes, n\u00e3o faz men\u00e7\u00e3o aos cientistas por tr\u00e1s das informa\u00e7\u00f5es, fazendo com que o p\u00fablico possa pensar que o conhecimento divulgado \u00e9 de dom\u00ednio p\u00fablico, quando, na verdade, existe um ou diversos trabalhos cient\u00edficos por tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a atua\u00e7\u00e3o da Universidade e outras institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ci\u00eancia e tecnologia na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, al\u00e9m de sofrer com os problemas anteriores, sofre de recursos, qualidade e abrag\u00eancia limitados.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de sua relev\u00e2ncia, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, da forma como existe atualmente, n\u00e3o \u00e9 suficiente para preencher a lacuna entre o conhecimento que acessamos e a ci\u00eancia como um todo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Caminhos Poss\u00edveis para a Universidade<\/strong>: Repensar Tecnologia<\/h2>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, como podemos resolver essa quest\u00e3o? Como a Universidade poderia se comprometer em diminuir o gap entre a ci\u00eancia e os conhecimentos que acessamos a todo o instante na sociedade digital? Uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o envolve uma reformula\u00e7\u00e3o da estrutura universit\u00e1ria e da sua abordagem \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o do conhecimento. Nesse cen\u00e1rio, a universidade deveria se reposicionar e encorajar seus professores a se tornarem disseminadores de conhecimento. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, isso deve ser feito de maneira descentralizada e flex\u00edvel, ao contr\u00e1rio do sistema altamente centralizado e burocratizado  atualmente vigente. A universidade deveria incentivar a propaga\u00e7\u00e3o de conhecimentos e facilitar o acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, oferecendo apoio financeiro e t\u00e9cnico aos professores para que se dediquem a essas atividades ou criarem grupos de suporte com esse prop\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a universidade necessitaria reformular sua abordagem de comunica\u00e7\u00e3o, afastando-se de um estilo r\u00edgido e formalista. \u00c9 crucial repensar sua linguagem e a forma como se conecta com um p\u00fablico mais amplo. <\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, a universidade deve reconhecer de maneira inequ\u00edvoca que <strong>isso \u00e9 tecnologia<\/strong>. Al\u00e9m de estimular o surgimento de tecnologias tradicionais e sociais relevantes, atualmente o conhecimento que ela produz \u00e9 em si o maior produto da economia digital. Esses produtos assumem a forma de conte\u00fado digital e, por conseguinte, possuem um valor econ\u00f4mico. Ag\u00eancias, empresas e plataformas de redes sociais pagam por esse produto, pois organizam e compartilham tais conte\u00fados. No entanto, a universidade muitas vezes deixa de perceber seu pr\u00f3prio conhecimento como tecnologia, inclusive em sentido tradicional schumpeteriano, um produto que produz mudan\u00e7as disruptivas na economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em dia, muitas universidades ainda associam a ideia de tecnologia \u00e0 transfer\u00eancia de conhecimento para empresas, com a finalidade de produzir produtos tang\u00edveis, como pe\u00e7as mec\u00e2nicas, componentes eletr\u00f4nicos ou dispositivos. Contudo, o conhecimento gerado pela universidade e transformado em conte\u00fado digital tamb\u00e9m \u00e9, por si s\u00f3, um produto valioso. Esse produto gera receita, que, por sua vez, pode ser investida na pr\u00f3pria universidade para promover atividades cient\u00edficas, educacionais, informativas e inclusivas. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, tal perspectiva necessita de uma vis\u00e3o ampla de ci\u00eancia e tecnologia. A t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o, seria crucial repensar a infraestrutura fundamental de maneira \u00e1gil e descentralizada para a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado digital. Isso engloba a disponibiliza\u00e7\u00e3o de recursos essenciais, como microfones, c\u00e2meras e computadores de qualidade, al\u00e9m da aquisi\u00e7\u00e3o de softwares adequados para grava\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o, armazenamento em nuvem, compartilhamento colaborativo, transmiss\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o de redes. Por outro lado, engloba tamb\u00e9m amparo com forma\u00e7\u00e3o e assessoria para produ\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de conte\u00fados digitais de alto padr\u00e3o e \u00e1geis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por essa raz\u00e3o que a universidade precisa reavaliar sua abordagem. \u00c9 igualmente a raz\u00e3o pela qual institui\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias que buscam facilitar essa transforma\u00e7\u00e3o e associa\u00e7\u00e3o entre as universidades s\u00e3o t\u00e3o importantes. Elas desempenham um papel crucial ao ajudar as institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas a entenderem o potencial tecnol\u00f3gico do conhecimento que produzem e a aproveitar essa oportunidade para fortalecer sua miss\u00e3o e impacto na sociedade.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo contempor\u00e2neo est\u00e1 imerso na Era Digital, caracterizada pela descentraliza\u00e7\u00e3o das redes de comunica\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o massiva de informa\u00e7\u00f5es. No entanto, a profus\u00e3o de dados nem sempre se traduz em conhecimento relevante e profundo. A sociedade enfrenta o desafio de democratizar e aprofundar o conhecimento cient\u00edfico, repensando a comunica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e sua rela\u00e7\u00e3o com a economia digital. Por Igor Castellano e Gabriela Schneider<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":283,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[34,62,180,181],"class_list":["post-281","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ayan-agalu","tag-ciencia","tag-educacao","tag-universidade","tag-universidade-publica"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/igorcastellano.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/insta_20240317_ciencia-e-conhecimento.png","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/281\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}