{"id":675,"date":"2013-02-10T20:17:04","date_gmt":"2013-02-10T18:17:04","guid":{"rendered":"http:\/\/sanduicheafricano.wordpress.com\/?p=29"},"modified":"2025-02-20T21:33:24","modified_gmt":"2025-02-20T21:33:24","slug":"desigualdades-la-e-ca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/desigualdades-la-e-ca\/","title":{"rendered":"Desigualdades l\u00e1 e c\u00e1"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center;\"><a href=\"http:\/\/sanduicheafricano.wordpress.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/img_1188.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-30\" alt=\"Soweto Township\" src=\"http:\/\/sanduicheafricano.wordpress.com\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/img_1188.jpg?w=950\" width=\"684\" height=\"513\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c1frica do Sul \u00e9, de fato, um pa\u00eds muito parecido com o Brasil: natureza lind\u00edssima com uma desigualdade social bem vis\u00edvel. Medindo-se pelo \u00edndice de Gini, o pa\u00eds fica inclusive em pior posi\u00e7\u00e3o (quarto pa\u00eds do mundo em termos de desigualdade), o que poderia parecer imposs\u00edvel para quem est\u00e1 acostumado a ver os contrastes de favelas e mans\u00f5es nas cidades brasileiras.<!--more--><\/p>\n<p>Por outro lado, quando as quest\u00f5es raciais s\u00e3o consideradas, \u00e9 interessante notar que aqui \u00e9 poss\u00edvel ver muitos negros ricos e de classe m\u00e9dia, o que \u00e9 relativamente raro no Brasil, sobretudo em estados como o Rio Grande do Sul. Isso demonstra inclusive que as quest\u00f5es relacionadas a desigualdades raciais est\u00e3o longe de ser resolvidas no Brasil. Por outro lado, brancos muito pobres aqui s\u00e3o rar\u00edssimos. Vi dois at\u00e9 agora. Um parecia ser irland\u00eas (aquele que nos pediu dinheiro no Union Buildings) e o outro tocava blues na rua com viol\u00e3o folk e gaitinha de boca, acompanhado de um cachorro&#8230;. tive de desembolsar 5 rands com ele (pouco mais de 1 real). Isso, pois ele tinha um talento nato, regado a baldes de Black Label (cerveja deles).<\/p>\n<p>Embora brancos pobres sejam relativamente raros de encontrar, h\u00e1 grande press\u00e3o de alguns grupos contra este fen\u00f4meno, que, na atualidade, supostamente ocorre em propor\u00e7\u00f5es cada vez maiores. De fato, h\u00e1 alguns bons document\u00e1rios curt\u00edssimos sobre o tema. Posto dois deles aqui (agrade\u00e7o ao prof. Martin Fletcher pela dica):<\/p>\n<p><strong>Poor Whites Rich Blacks in SA<\/strong><\/p>\n<p>http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=e5jJSjpztmA<\/p>\n<p><strong>Poor White South Africans<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"Poor white South Africans blame reverse discrimination\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jj84Sw1x2po?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 interessante porque demonstra como negros possuem atualmente muito mais oportunidades para se desenvolver economicamente e obter seu espa\u00e7o nas classes m\u00e9dias e mais abastadas. O fen\u00f4meno \u00e9 conhecido como Black Economic Empowerment (BEE &#8211; Emponderamento Econ\u00f4mico de Negros). Al\u00e9m disso, agora eles t\u00eam liberdade para viver onde querem, ou melhor, onde suas contas banc\u00e1rias permitirem. Mesmo em bairros anteriormente restrito a brancos (os chamados sub\u00farbios). Na \u00e9poca do Apartheid, os negros que ascendiam socialmente tinham de permanecer habitando as townships (sub\u00farbios de negros), o que acabou produzindo uma paisagem desigual inclusive em locais como Soweto, o que pode ser visto ainda nos dias atuais (por\u00e7\u00f5es compostas por casas razoavelmente habit\u00e1veis e partes marcadas por casebres feitos de estanho, sem \u00e1gua, esgoto ou luz). Do outro lado da moeda, agora brancos t\u00eam de competir com negros por emprego e oportunidades econ\u00f4micas, sem o incentivo de vagas reservadas pelo governo.<\/p>\n<p>O segundo video mostra como alguns brancos veem essa realidade como um afronte, pressionando o governo para estabelecer pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas a combater a pobreza branca. \u00c9 claro que algumas quest\u00f5es imediatamente surgem frente a essa posi\u00e7\u00e3o. Por que o governo deve oferecer pol\u00edticas p\u00fablicas para brancos sul-africanos baseadas em determinantes raciais quando os negros ainda comp\u00f5em a maioria da popula\u00e7\u00e3o pobre? N\u00e3o seriam mais justos e menos propensos a revanchismos programas baseados em condi\u00e7\u00f5es de vida e n\u00edveis de renda do que aqueles determinados pela cor da pele? Talvez o problema neste caso \u00e9 que brancos acabariam sendo tratados como negros, de igual para igual.<\/p>\n<p>Prefiro n\u00e3o entrar na pol\u00eamica quest\u00e3o das a\u00e7\u00f5es afirmativas no Brasil, mas \u00e9 interessante como pol\u00edticas raciais podem ser defendidas em ocasi\u00f5es diversas e visando garantir diferentes direitos. Em alguns casos serve de ferramenta para compensar injusti\u00e7as hist\u00f3ricas, em outros para proteger minorias habituadas com pol\u00edticas de favorecimento e que se sentem amea\u00e7adas com o fim dos privil\u00e9gios. Entretanto, fico pensando qual seria o limite pra tudo isso. Quando as compensa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o suficientes? Quando trataremos os problemas da inclus\u00e3o com foco no presente, buscando, acima de tudo, garantir condi\u00e7\u00f5es de vida dignas de qualquer ser humano, independente dos percal\u00e7os dos que j\u00e1 se foram e de sua heran\u00e7a deixada \u00e0 flor da pele?<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c1frica do Sul \u00e9, de fato, um pa\u00eds muito parecido com o Brasil: natureza lind\u00edssima com uma desigualdade social bem vis\u00edvel. 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