{"id":740,"date":"2025-05-07T07:51:48","date_gmt":"2025-05-07T07:51:48","guid":{"rendered":"https:\/\/igorcastellano.com\/?p=740"},"modified":"2025-05-07T08:05:26","modified_gmt":"2025-05-07T08:05:26","slug":"tambores-africanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igorcastellano.com\/en\/tambores-africanos\/","title":{"rendered":"Tambores africanos (Etnomusicologia Experimental, parte 1)"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o tem como levar \u00e0 s\u00e9rio espiritualidades e filosofias africanas (ou de qualquer outra origem) sem entender o papel da m\u00fasica nas sociedades e comunidades humanas. M\u00fasica \u00e9 uma linguagem complexa, que muitas vezes substitui outros meios de comunica\u00e7\u00e3o nas rotinas sociais. Nas culturas africanas tradicionais isso \u00e9 \u00f3bvio ululante. <\/p>\n\n\n\n<p>O tambor \u00e9 o instrumento primevo, que aqui adiquiriu o devido <em>status<\/em> de rei. \u00c9, antes de tudo, um meio de comunica\u00e7\u00e3o intra e inter-dimens\u00f5es espaciais e temporais &#8211; uma entidade. Um recurso simb\u00f3lico vivo, que explica e representa a integra\u00e7\u00e3o de diferentes elementos da natureza e a passagem do tempo em conex\u00f5es entre passado, presente e futuro. A l\u00edngua, a dan\u00e7a e o gesto imitam o tambor, que imita o sagrado, e vice-versa. Essas rela\u00e7\u00f5es s\u00f3 demonstram a capacidade de a m\u00fasica contar hist\u00f3rias n\u00e3o escritas. E elas s\u00e3o as mais brilhantes, as que precisam, por ess\u00eancia, serem lembradas. Por isso, carrego na minha pele a ilustra\u00e7\u00e3o dessa filosofia de vida &#8211; para nunca esquec\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/igorcastellano.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Design-sem-nome-6-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-741\" srcset=\"https:\/\/igorcastellano.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Design-sem-nome-6-1024x1024.png 1024w, https:\/\/igorcastellano.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Design-sem-nome-6-300x300.png 300w, https:\/\/igorcastellano.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Design-sem-nome-6-150x150.png 150w, https:\/\/igorcastellano.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Design-sem-nome-6-768x768.png 768w, https:\/\/igorcastellano.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Design-sem-nome-6.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-tertiary-color\">\u00c0 esquerda, ilustra\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre tambor e ancestralidade, por <a href=\"https:\/\/www.streylucas.art.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">Lucas Strey<\/a> (finaliza\u00e7\u00e3o), <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marcosstrey\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">Marcos Strey<\/a> (ilustra\u00e7\u00e3o) e Igor Castellano (concep\u00e7\u00e3o). \u00c0 direita, a ancestralidade do tambor na minha pele, tatuada por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gledsonlimatattoo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">Gledson Lima<\/a>.<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Toda m\u00fasica que representa ideias sociais profundas me fascina &#8211; principalmente aquelas de resili\u00eancia, resist\u00eancia e contesta\u00e7\u00e3o a ordens opressoras &#8211; que sopram escondidas da ind\u00fastria cultural capitalista. Por isso, h\u00e1 muito tempo carrego em mim um <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Etnomusicologia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">etnomusic\u00f3logo<\/a> experimental, que atravessa muros e esquinas para compreender manifesta\u00e7\u00f5es musicais de sociedades onde me enveredo. Compro instrumentos locais artesanais por onde vou e busco, nos lugares mais inusitados, vivenciar a experi\u00eancia da m\u00fasica em contextos significativos. Ou seja, pontos em que ambiente, express\u00e3o, liturgia e instrumentos se encontram. N\u00e3o h\u00e1 momento mais sublime das sociedades quando tais coisas est\u00e3o interligadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira vez em que moramos na \u00c1frica do Sul, em 2013, percorri alguns lugares escondidos em busca de express\u00f5es que revelassem a experi\u00eancia popular do tambor em manifesta\u00e7\u00f5es culturais de relev\u00e2ncia profunda. Uma das marcas mais fortes que encontrei foi o chamado \u201crito das montanhas\u201d, em um bairro de Joanesburgo chamado Melville, onde um parque p\u00fablico, situado entre montanhas, abrigava informalmente rituais de diferentes religi\u00f5es \u2014 desde evang\u00e9licas trazidas pelos colonizadores ocidentais at\u00e9 pr\u00e1ticas espirituais tradicionais. <\/p>\n\n\n\n<p>Com coragem \u2014 pois todas as recomenda\u00e7\u00f5es que recebia de pessoas brancas eram para que eu evitasse o local \u2014 e, sobretudo, com respeito, consegui dialogar com um l\u00edder religioso da ZCC (<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Zion_Christian_Church\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">Zion Christian Church<\/a>), vertente do sionismo espiritual africano, bastante distinta do israelita. Fui autorizado a participar de um ritual em que os tambores eram aquecidos ao redor de uma fogueira, e o couro era umedecido com terra para n\u00e3o ressecar imediatamente. A prepara\u00e7\u00e3o era seguida por uma roda ritual\u00edstica, com toques, dan\u00e7as e c\u00e2nticos, em que o l\u00edder, portando uma bengala, transmitia ensinamentos a quem necessitasse. Foi uma experi\u00eancia profunda e reveladora dos la\u00e7os que rituais do povo, perseguidos e marginalizados, mant\u00eam ainda em \u00c1frica, assim como ocorre no Brasil nas religi\u00f5es de matriz africana.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra experi\u00eancia dessa etnomusicologia experimental que me move encontrei recentemente na descoberta pessoal do Tambor de Sopapo na regi\u00e3o central do estado do Rio Grande do Sul. Mas isso \u00e9 assunto para a segunda parte desse texto.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tambor \u00e9 o instrumento primevo, que aqui adiquiriu o devido status de rei. \u00c9, antes de tudo, um meio de comunica\u00e7\u00e3o intra e inter-dimens\u00f5es espaciais e temporais &#8211; uma entidade. 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